Contribuição para a Discussão Pública do Concurso de Ideias para o Parque Urbano da Praça de Espanha (Fechado)

Contribuição para a Discussão Pública do Concurso de Ideias para o Parque Urbano da Praça de Espanha

Propostas dos Vizinhos das Avenidas Novas (membro fundador da “Vizinhos Em Lisboa – Associação de Moradores”

Ex.mos Srs,

No âmbito do concurso de ideias para a Praça de Espanha lançado pela CML com intuito de mobilizar os lisboetas para um debate em torno das 9 propostas apresentadas, recolhendo opiniões, críticas e sugestões, e também na sequência da intensa participação fomentada pela Junta de Freguesia de Avenidas Novas – através de dois debates/conferências oportunamente realizados -, vem o coletivo Vizinhos das Avenidas Novas, núcleo desta freguesia e membro fundador da “Vizinhos em Lisboa – Associação de Moradores” contribuir para o referido debate através de ideias e sugestões recolhidas numa participação coletiva dos membros deste núcleo, através de sondagens e comentários realizados na sua página de facebook (https://www.facebook.com/groups/vizinhos.das.avenidas.novas/).

 

As ideias e sugestões abaixo apresentadas, resultam da votação e opinião de mais de 200 opiniões expressas, com total liberdade e fruto da atenção que esta associação deu a uma intervenção que terá evidente impactos na nossa freguesia, não só em termos do usufruto que se fará do novo parque, como também ao nível da circulação viária, ciclável e pedonal, bem como da importante interligação entre diferentes zonas da cidade, nomeadamente a Fundação Calouste Gulbenkian, o Bairro Azul, o Corredor Verde de Monsanto, a Columbano Bordalo Pinheiro, o IPO, o Bairro Santos ao Rêgo e a parte central das Avenidas Novas.

 

Assim, da votação e ideias expressas pelos membros participantes na votação, temos as seguintes ideias e sugestões:

  1. Existência de saída de metro para o Bairro Santos ao Rego (64 votos) + Ligação Subterrânea ao IPO (28 votos):
    • Critica: o Bairro Santos ao Rego foi uma zona esquecida por todas as propostas apresentadas (aliás, esquecida pela própria delimitação da área da Unidade de Execução da Praça de Espanha), exceto uma que fazia menção à ligação à ciclovia da Rua Filipe da Mata via Avenida dos Combatentes (aliás prevista no plano de rede ciclável). No entanto, esquecem-se os moradores de um bairro de cariz essencialmente residencial, com grande crescimento da população universitária, e que se situa num enclave esquecido entre a linha de comboio e a Av. das Forças Armadas, servido de forma muito deficiente por transportes públicos). Note-se de que quando se fala de Bairro Santos ao Rego, estamos a referir-nos à zona para lá da linha de comboio.
    • Sugestão: a criação de uma saída que facilitasse o acesso a este bairro seria de todo o interesse, contribuindo para uma maior inserção na cidade e para facilitar a vida a uma população carente. Essa saída seria decerto um investimento com algum significado e de execução mais ou menos complexa consoante a solução a adotar, mas sugere-se em seguida duas alternativas a estudar (esquema em anexo):
      • Seria de muita utilidade, face ao tipo de população utilizadora que o metro tivesse uma ligação subterrânea ao IPO, com uma saída direta eventualmente já dentro dos terrenos do mesmo, aproveitando agora a obra de construção do novo edifício que irá avançar em breve, ou na zona da Rua Professor Lima Basto que irá ficar sem utilização por detrás da parcela AB;
      • Esta ligação subterrânea poderia ter continuidade, já em superfície por caminho junto à Avenida dos Combatentes descendo em suspensão até ao Jardim que fica do outro lado da linha de comboio, já na Rua Filipe da Mata (Vide esquema em baixo), dispensando as atuais escadas de acesso que são muito limitativas em termos de acesso ao Bairro.
    • Neste caso a passagem subterrânea seria em direção à Santos Dumont, teria as duas funções: a de permitir o atravessamento da Av. dos Combatentes por baixo, evitando as passadeiras, podendo inclusive ter uma ciclovia subterrânea e a da ligação a uma passagem de superfície e ponte suspensa à linha de comboio que atravessaria para o lado do Jardim da Filipe da Mata.
  1. Redução do tráfego automóvel e da poluição (37 votos) + Estudo de tráfego cruzamentos adjacentes (8 votos)
    • Critica: os estudos de tráfego levaram em conta as contagens na atual Praça de Espanha e respetivos cruzamentos, mas não consideraram alguns cruzamentos problemáticos adjacentes que terão influência no comportamento dos novos cruzamentos da Praça de Espanha e, portanto, na redução do tráfego e poluição.
    • Sugestão: estudar o comportamento do cruzamento Marquês da Fronteira com António Augusto de Aguiar e ajustar alguma medida de acesso ao El Corte Inglês, e estudar o cruzamento da Av da Republica com Av. de Berna cujo engarrafamento chega a atingir a Praça de Espanha, bem como o do Largo Azeredo Perdigão, face às alterações e tráfego adicional que se perspetiva.
    • Adicionalmente, no âmbito da reordenação de tráfego deve ser considerada a rotunda no topo da Rua Armando Cortêz, prometida e devida há muito tempo, necessária para o descongestionamento da entrada no Bairro Azul e com evidentes implicações no fluxo de trânsito que desce e sobre da Praça da Espanha para a zona da Mesquita de Lisboa.
  2. Melhoria no acesso pedonal à praça (26 votos)
    • Critica: A solução de passadeiras resolve os problemas imediatos e de circulação pedonal evidente, mas não todos.
    • Sugestão: considerar as propostas efetuadas na Proposta 1 (ponte pedonal e ciclável desde o Bairro Azul até ao parque e Proposta 6 (ponte pedonal e ciclável desde a Fundação até ao parque, atravessando a António Augusto Aguiar e a Calouste Gulbenkian).
    • O foco na criação das passadeiras nos novos cruzamentos a criar fez com que a atenção dada a outras necessidades de atravessamento pedonal tenham sido esquecidas, nomeadamente uma passadeira mais amigável no cruzamento da Ramalho Ortigão com a António de Augusto Aguiar, junto às paragens de autocarro na Calouste Gulbenkian e junto à nova saída do Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, na Marquês da Fronteira.
    • Considerar a inclusão de medidas de redução de velocidade na Avenida Calouste Gulbenkian e na Avenida dos Combatentes (por exemplo, radares, passadeiras sobre-elevadas, …).
  3. Túneis Subterrâneos para diminuir circulação viária à superfície (25 votos) + Manutenção de circulação em rotunda (23 votos)
    • Critica: no estudo de alteração viária da Praça de Espanha foram consideradas outras propostas alternativas de circulação viária para além da presente?
    • Sugestão: partilhar com os lisboetas as alternativas estudadas e respetivos estudos.
  4. Flora com espécies de manutenção reduzida (23 votos) + Existência de lago (12 votos) + Zona de lazer e lúdica ao ar livre (6 votos) + DogPark (5 votos) + Jardim sensorial para cegos (5 votos) + jardim de aromáticas (4 votos)
    • Critica: nos custos de projeto de construção do Parque Urbano (orçados em 3,5 Milhões de Euros) não é clara a existência de rubrica para a respetiva manutenção, pelo menos nos primeiros anos pós conclusão, que serão decerto anos exigentes neste aspeto.
    • Sugestões: Inclusão no orçamento total de construção do parque de uma rubrica especifica relativa à sua manutenção e solicitação no Caderno de Encargos a emitir relativamente à obra que os concorrentes explicitem de forma clara os custos de manutenção que perspetivam, incluindo custos com rega, manutenção de equipamentos, mão de obra, etc.
    • Adicionalmente a existência de um dogpark com as respetivas regras de utilização claramente enunciadas deve estar previsto;
    • A flora e vegetação a usar devem ser, tanto quanto possível, espécies adequadas ao clima, autóctones e de reduzida manutenção;
    • A existência de lagos, que funcionem também como bacias de retenção parece ser uma das soluções mais adequadas;
    • Jardim sensorial para cegos e jardins de aromáticas são outras sugestões.
  5. Estacionamento (13 votos)
    • Critica: com a existência da atratividade do Parque Urbano da Praça de Espanha e, mesmo privilegiando os transportes públicos e outros meios de circulação, a pressão acrescida de estacionamento, prejudicando os moradores será evidente, não se prevendo nenhuma medida concreta neste aspeto.
    • Sugestão: nos edifícios a construir deveria ser prevista a existência de lugares de aluguer a custos reduzidos para os moradores, incluindo também parques públicos para os visitantes do jardim. Neste caso, as parcelas C e D, deveriam contemplar esta possibilidade, sendo que neste caso, a existência da passagem subterrânea de acesso ao metro na Santos Dumont será também uma alternativa de acesso ao próprio Parque para quem estacionaria nestes locais.

Relativamente às nove propostas apresentadas, destacamos os pontos de relevo mais positivos de cada proposta, que deveriam ser aproveitados para a construção de uma proposta final:

  • Concorrente 1: solução das baías de retenção e a ponte pedonal;
  • Concorrente 2: lago e alguns conceitos em termos de equipamento urbano;
  • Concorrente 3: os conceitos das praças, os diferentes ecossistemas criados com as diversas espécies arbóreas e a passagem superior do Bairro Azul ao Parque, para além de todos os aspetos mais técnicos relacionados com a drenagem das águas;
  • Concorrente 4: o conceito das clareiras (a sua entrega a entidades e associações poderia ser o garante de atividade contínua, maior manutenção e inclusive permanência de pessoas e por isso maior segurança) e do anfiteatro junto ao lago;
  • Concorrente 5: a centralidade e solução para o metro e as das ligações de mobilidade, nomeadamente o passadiço;
  • Concorrente 6: a solução de mobilidade que permite o atravessamento calmo e seguro em diagonal entre a Fundação e o Parque ligando-os efetivamente, a solução da Praça da Água e a centralidade destacada e formato da Estação do Metro;
  • Concorrente 7: a relevância que é dada ao Arco (mas que ao mesmo tempo abre o parque ao ruído que vem desse lado) e a ideia dos diferentes quiosques espalhados noutras zonas do parque;
  • Concorrente 8: o parque canino, a fonte e a proposta de um circuito de manutenção, e deslocalização do skate parque para um dos extremos (o parque de skate é uma fonte de ruído e não deve por isso ser colocado numa zona central do parque nem junto a prédios habitacionais ou hotéis);
  • Concorrente 10: a ideia de revitalização da ribeira, o anfiteatro relvado e a inserção do arco de São Bento numa praça, dando-lhe destaque.

Em termos gerais a proposta do Concorrente 6 foi a mais destacada, demonstrando um grande equilíbrio, simplicidade, ligação aos espaços envolventes e um parque com diferentes utilizações e espaços.

Os Vizinhos das Avenidas Novas, membros da Vizinhos em Lisboa – Associação de Moradores, congratulam-se com a oportunidade que tiveram de expor as suas ideias e disponibilizam-se de imediato para qualquer esclarecimento ou colaboração futura que entendam necessária.

Por uma Lisboa Participativa e Participada!

 

Segue-se a apreciação detalhada de cada uma das propostas:

CONCORRENTE 1 – Trata-se de um parque dedicado às artes “Arte à Parque”, pretendendo fazer a ligação artístistica entre a Fundação Calouste Gulbenkian, o Teatro Aberto e o Teatro da Comuna. Boa ideia!

Estando este parque numa zona importante de controlo e de retenção e absorção de águas pluviais, a solução de anfiteatros cuja utilização varia de acordo com o volume de água, parece interessante à primeira vista (teria de se perceber melhor como iria funcionar, nomeadamente a questão da acumulação de lamas e residuos).

O programa de utilização dos espaços à medida para utilização artística, desportiva e de lazer em diferentes vertentes é interessante. Gosto especialmente pela simplicidade.

A deslocação do Arco de São Bento para um dos topos, é interessante e permitiria destaca-lo, mas creio que o custo desse esforço não compensa.

A solução de mobilidade de transportes, pedonal e ciclável é enriquecida com uma ponte pedonal/ciclável que desce desde o Bairro Azul até ao parque passando por cima da Calouste Gulbenkian, criando maior mobilidade e permitindo vencer o declive de forma mais suave. Muito boa ideia!

A solução de mobilidade automóvel está amarrada à solução que a CML impôs. A estação de metro é integrada na praça principal do jardim, com adição de zona de restauração e esplanada. Servindo de apoio ao principal anfiteatro, onde poderão decorrer concertos.

Integra parque infantis e zonas desportivas e espera~se que pelo menos na praça principal se integre zona de casa de banho pública (algo que os nossos parques fazem questão de esquecer). São apresentadas algumas soluções de detalhe para suporte às artes mas não é apresentada nenhuma linha de mobiliário urbano.

Não é um projecto disruptivo, sem grandes rasgos, mas com simplicidade e provavelmente com custos de manutenção mais reduzidos se comparados com outras propostas.

Deste projecto aproveitaria a solução das bacias de retenção e a ponte pedonal!

 

CONCORRENTE 2 – O conceito subjacente a este projecto tem a Arte como força aglutinadora de todas as outras vertentes, como as actividades culturais, o desporto e recreio e o lazer. O projecto inspira-se num quadro do artista Carlos Diez, “Physichromie, Nº 21”, um obra abstracta mas com lineariedade que se vai desvanecendo do centro para as pontas.

Digo desde já que acho este projecto espetacular, pelo conceito, pela inspiração, pelo detalhe, por toda a atenção aos pormenores e nas propostas que tem subjacente nota-se que o mesmo foi pensado e amadurecido. No entanto acho que este seria o projecto ideal para um jardim privado e não para um jardim público de utilização intensiva. Para além disso tem duas ou três falhas importantes.

Em primeiro lugar, o autor socorre-se se inúmeros elementos, colocados no chão e em construção, que criam a tal imagem de linearidade do quadro, mas que tornam o jardim confuso, quase que necessitando de um manual de instruções para se perceber a função de cada espaço/elemento, e iriam criar uma necessidade de manutenção desses elementos muito elevada. Infelizmente, ao construir-se elementos no espaço público, a necessidade de manutenção tem de ser tida em conta face ao uso intensivo e ao vandalismo.

Outra falha creio que se prende com as linhas de circulação, mais uma vez causado pela tal linearidade, os circuitos pedonais e cicláveis são muito direccionados e quase só permitem que se vá numa direcção obliqua, Gulbenkian/Columbano (que não deixa de ser a principal via) mas que impossibilita outros movimentos que depois vão ser criados pela passagem das pessoas e bicicletas. A principal travessia faz um cruzamento directo com estas linha e é a passagem mais desafogada mas ironicamente será a com menor necessidade de circulação. A ligação à ciclovia é particularmente infeliz bem como a pretensa ligação à Gulbenkian que é apenas visual, não havendo uma continuidade de estilo (é mesmo disruptivo) entre o Jardim da Gulbenkian e este.

Finalmente, creio qua composição a nível arbóreo é pobrezinha, embora com boas sugestões de tipo de árvores, e pretende criar espaços mais intimistas junto às pontas do jardim e deixando o centro para maiores ajuntamentos (o que parece correcto) mas que empurra as pessoas para a zona mais junto às vias de circulação e por isso com maior poluição e ruído. parece pois um jardim umpouco fechado sobre si mesmo, não criando pontes com a envolvente.

Particulamente bom são os equipamentos pensados e os propósitos para cada uma das áreas, mas mais uma vez creio que a quantidade e depois o cuusto de manutenção tornariam o jardim incomportável . Bom pormenor, o lago, que sendo existente não se sobrepõe a todo o jardim permitindo criar diferentes áreas.

Deste projecto aproveitaria o lago e alguns conceitos em termos de equipamento.

 

CONCORRENTE 3 – Neste projecto, a água teve o papel central da definição da sua composição e nos elementos que lhe são adicionados, interligando duas grandes “praças” a da Palhavã e a Columbano. A Praça Palhavã, é um espaço aberto no cruzamento da Calouste Gulbenkian com a dos Combatentes, com vista e ligação visual à Fundação Calouste Gulbenkian, e incorpora por baixo uma caixa de retenção rápida de águas pluviais com grande capacidade de armazenamento. Esta praça é a principal via de entrada no Parque que depois abre para a grande clareira e lago que mais uma vez servirá como baia de retenção de águas.

No lado oposto, na obliqua em direção à Columbano, abre-se a Praça Columbano que fará nova entrada no Parque e ligação principal à entrada do Metro com outros equipamentos de serviços, como cafetaria e esplanada. Existirão ainda três outras bacias de retenção na direcção do interior do quarteirão que se estende para lá do Teatro da Comuna.

Deixando as grandes praças no interior do parque, cria através de conjuntos arbóreos uma parede para os ruídos e poluição vindas das principais vias de comunicação que rodeiam o parque, permitindo criar uma sensação de isolamento. Uma divisão do conjunto arbóreo em diferentes zonas e tipologia de vegetação, permite criar pequenos ecossistemas diferentes, o que parece uma proposta muito interessante.

Apresenta propostas de outros equipamentos, nomeadamente infantil e desportivo, sem no entanto fazer propostas concretas quanto a mobiliário urbano.A ciclovia contorna o parque e tem apenas uma diagonal interior que permite a ligação das duas praças e à entrada do metro, um circuito de manutenção e geriátrico e um anfiteatro central, permitindo a realização de espectáculos ao ar livre. Os caminhos pedoinais são fluidos e permitem diagonais de ligação de zonas. Apresenta ainda detalhada informação sobre aspectos ligados à drenagem hidraulica, sintoma da enorme atençaõ que foi dada à água neste projecto.

Muito interessante é a sugestão da passagen pedonal que liga o topo do Teatro Aberto e os edificios dos novos escritórios existentes, fazendo uma passagem pedonal “pendurada” no viaduto da José Malhoa que cruza a Calouste Gulbenkian, e permite uma travessia aérea e mais suave desse ponto alto (inclusivé da escola Marquesa de Alorna, por exemplo) para a parte mais oeste do parque. Muito, muito interessante e só é pena que a preocupação de ligação facilitada não tenha sido estendida para a parte norte do Parque.

Projecto bastante adequado para um parque urbano, com simplicidade na abordagem, facilitando manutenção futura e prendendo-se aos aspectos essenciais que se pretende conseguir com este parque. Um dos meus eleitos!

Deste projecto aproveitaria, os conceito das praças, os diferentes ecossistemas criados com as diversas espécies arbóreas e a passagem superior do Bairro Azul ao Parque, para além de todos os aspectos mais técnicos relacionados com a drenagem das águas.

 

CONCORRENTE 4 – Este projecto tem na sua essencia a criação de espaços cuja utilização especifica é incerta, embora se façam propostas, são apenas isso, deixando os autores para uma segunda fase a definição do seu uso concreto, que são abertos à utilização pela populção em diferentes actividades.

Essas clareiras, várias, circundam duas clareiras principais, uma de espaço aberto para a realização de concertos ou actividades, e outra com um lago. A componente água, na sua perspectiva de retenção e drenagem não é o foco principal, embora se perceba que o lago e algumas clareiras adjacentes podem funcionar como bacias de retenção.

Parece-nos no entanto que há elementos fundamentais que são desprezados, o Arco do São Bento é pura e simplemente ignorado sendo encaixado no meio das árvores, sem qualquer destaque, não é proposta qualquer ciclovia de atravessamento do parque, sendo apenas periféricas, não é encaixado o acesso ao metro em lugar de destaque, sendo apenas uma escadas no meio do parque, é proposta uma ponte pedinal que liga o Teatro Aberto ao parque, mas fazendo uso de escadas, o que não parece de todo confortável e prático, são propostas escadas de acesso a um estacionamento subterraneo mas não se percebe qual e onde.

A ideia das clareiras para diferentes fruições e actividades, permitindo por exemplo a inserção de equipamentos especificos, é uma boa ideia mas que requerá a criação de um estrutura permanente de gestão desses espaços. Os autores sugerem a entrega desses espaços a associações, entidades ou empresas, não deixa de ser uma ideia mas que requer de facto alguma entidade de faça a gestão e articulação das diferentes entidades e espaços/actividades.

Quando à componente vegetal, são feitas propostas concretas de localização e distribuição espacial, que permitem formar as referidas clareiras, mas não é referido em detalhe que especies a aplicar.

É uma proposta com um conceito interessante, assim houvesse da parte da sociedade civil interesse e orbanização para a gestão das “clareiras”, mas com algumas falhas de inserção na restante cidade.

Desta proposta retinha o conceito das clareiras (a sua entrega a entidades e associações poderia ser o garante de actividade contínua, maior manutenção e inclusivé maior segurança) e do anfiteatro junto ao lago.

 

CONCORRENTE 5 – Este projecto tem três vertentes sobre a qual assenta o seu conceito, a drenagem da àgua como vector principal, que é correspondido através da criação de “taças” que servirão como bacias de retenção das àguas, e que permitem o transporte dessa água entre si; a mobilidade com propostas concretas e disrupltivas para melhoria da mobilidade suave através da criação de um passadiço que interliga as diferentes àreas do parque e o transpôem para fora dele, e a ultima, é precisamente o facto de olhar para lá do parque e ter propostas concretas para as áreas contíguas à centralidade do parque.
 
Devido a este último aspecto, parece uma proposta muito consistente, pela continuidade que consegue proporcionar ao parque para lá do quadrilátero principal. A proposta de jardins de acesso público no blocos de construção do lado da Santos Dumont, a proposta de arborização das ruas e zonas verdes contíguas, a passadeira obliqua que liga a Gulbenkian ao Parque (boa ideia mas que me parece irá criar ainda mais constragimentos nesse cruzamento, mas que reponde decerto à direcção com maior fluxo de pessoas) e o passadiço que liga o parque ao lado do Bairro Azul (mais precisamente da José Malhoa, descendo frente ao Teatro Aberto, passando por cima da estação de metro, fazendo a ligação à Av dos Combatentes e à ligação à ciclovia da Estrada da Laranjeiras, passando finalmente para o lado de lá da linha do comboio). Este é de facto o primeiro projecto que olha para lá do óbvio em termos de ligações às zonas periféricas ao Parque!
 
Quanto ao Parque em si, o conceito da taças parece permitir a dualidade de utilização destes espaços. Em tempo chuvoso, a retenção de àgua criando bacias com àgua, e em tempo seco disponibilizando estes espaços para actividades. Não é novidade este conceito, mas permite algumas questões que não conhecemos resposta, como por exemplo, que acontece aos equipamentos que possam lá ser colocados quando estão em cheia? Como é com a acumulação de detritos e lamas que podem depois levar à não utilização desses espaços por serem desagradáveis?
 
Finalmente chamo também a atenção para a centralidade que é dada à estação e metro, destapando-a parcialmente e agregando à sua volta muitos dos principais equipamentos de serviços, como cafetarias, esplanadas, casas de banho, etc.
 
Desta proposta destacaria a centralidade e solução para o metro e as propostas para além do parque, os parque de fruição publica e as ligações de mobilidade, nomeadamente o passadiço.
CONCORRENTE 6 – Este projecto apresenta uma garnde simplicidade sem deixar de ter em conta algumas vertentes importantes, nomeadamente a questão da drenagem da água que será efectuada através de bacias de retenção/infiltração que seguem o percurso da Ribeira do Rego, que são básicamente áreas alagáveis ligadas por linhas de água que permitem a sucessiva transfega das águas da parte central da Praça de Espanha para a zona mais a oeste em direção à Ribeira de Alcântara. Propõe a existência de duas grandes clareiras e uma praça da água que, ao não estar alagada permite a sua fruição desportiva com campos de jogos. Mais uma vez não fica claro como se compatibiliza estas duas valências, ao nível da manutenção dos equipamentos e do solo. Como esta praça será conseguida criando uma depressão no terreno, conseguir-se-á uma “bancadas” de apoio e ter-se-á de criar um acesso via escadas da parte mais elevada junto ao Teatro da Comuna. Parece ser uma solução interessante.
Apresenta também um destaque efetivo na zona da saída do metro, criando à sua volta as principais infrestruturas, como a cafetaria, esplanadas e casas de banho. E no enfiamento da Columbano Bordalo Pinheiro, um grande parque infantil. O restante serão de facto clareiras arborizadas no seu perímetro e com alteamento de algumas zonas de modo a reduzir o ruido que decorre das vias de circulação que rodeiam o parque.
Muito interessante é a proposta de criação de uma ponte pedonável e ciclável que liga a António Augusto de Aguiar e a Fundação Calouste Gulbenkian ao Parque, permitindo o cruzamento aéreo de duas vias de grande circulação, que até levam à proposta de supressão de uma passadeira que ligaria a zona fronteira à Embaixada de Espanha com o Parque. Sinceramente não parece que a instalação desta ponte facilite essa circulação especifica, e portanto não concordamos com essa supressão, mas a ideia da ponte é muito bem conseguida, tendo uma componente retractir que liga directamente ao interior da Fundação, para que quando esta está fechada, não seja possível o acesso. Pena é que esta solução esteja proposta para uma segunda fase por restrições orçamentais, porque nos parece uma solução interesante epena é também que a mesma atenção não tenha sido dada à ligação norte do Parque.
Desta proposta destaco claramente esta solução de mobilidade que permite o atravessamento calmo e seguro em diagonal entre a Fundação e o Parque ligando-os efectivamente, a solução da Praça da Água e a centralidade destacada e formato da Estação do Metro.
CONCORRENTE 7 – A praça quadrangular central que ficará no centro do parque é a marca distintiva deste projecto, mas ao mesmo tempo parece curto que seja apenas essa a sua marca. Essa praça central leva depois com as escadas de saída do metro, que parecem plantadas de forma anárquica. Tem nova praça quadrangular que enquadra o Arco de São Bento, dando-lhe algum destaque que se perde na maioria das restantes propostas. O lago central, serve de ponto de redução de temperatura e de bacia de retenção , que depois se interliga com outras bacias mas às quais não é dado uma utilização para além disso, excepto a do skatepark.
Boa é a ideia de disponibilização de quiosques (junto ao IPO e junto à Comuna e skateparke junto ao arco) para além do quiosque central, que fica adjacente à praça quadrangular mas que não tira parte da proximidade do metro e da ligação que poderia fazer às suas infraestruturas. Aliás, este quoisque central é em 2/3 do seu corpo dedicado a exposições temporárias. Sinceramente, mais uma vez parece curto e um pouco desequadrado, uma vez que estando num parque, se chama por actividades e arte ao ar livre e aqui temos mais uma sala de exposições, reduzindo a dimensão da cafetaria principal.
Em termos de mobilidade não propõe nada de novo, excepto uma escadaria de acesso à José Malhoa e ciclovias a toda a volta do parque pelo perímetro exterior, e apenas com um atravessamento vertical no sentido Teatro Aberto – IPO ou vice-versa. Propõe jardins interiores nos blocos que servirão para construção, nenhuma valorização da ligação ao metro, e um parque infantil do lado do Teatro BAerto, quando me parece que faça mais sentido do outro lado para servir a zona da Columbano e não uma área que é de Teatro, Empresas e Embaixada.
Desta proposta destaco apenas a relevância que é dada ao Arco (mas que ao mesmo tempo abre o parque ao ruído que vem desse lado) e a ideia dos diferentes quiosques espalhado noutras zonas do parque. Quanto a mim é até agora a mais fraca de todas.
CONCORRENTE 8 – Esta proposta consiste num conjunto de circulos e ovais que representam as diferentes áreas do jardim, subdividindo-as, e consistindo nas bolsas de absorção de água, entre os quais existe um piso que forma os caminhos entre as zonas. Sinceramente não me parece que, ao formar-se e pensar-se numa ideia de parque para este local se pensasse em acrescentar tanto “piso”, criando mais zonas impermeáveis ou semi-impermeáveis. Pensamos que haveria outras formas de não tornar o parque tão árido através de tão grande dimensão de pavimento contínuo.
Por seu lado, se o conceito de circulos parece interessante, por agrupar e subdividir zonas de utilização especifica, o facto de lhes chamarem relvados aponta logo para uma solução que é considerada nos dias de hoje como muito onerosa em termos de manutenção e custos e esforço de rega. Por outro lado, como existe muito pavimento, será necessária a transplantação de árvores e a arborização não é tão intensa como noutras propostas, donde se pode assumir que as zonas de sombra e a redução de ruído não são tão significativas como deveriam ser.
O esquema de mobilidade, facilitado por tanto pavimento contínuo, possibilita o fácil movimento entre todas as zonas do parque mas não existem quaisquer propostas de interligação diferenciada com as zonas exteriores ao parque, nem a norte nem a sul. Boa ideia a proposta do parque canino e a da deslocalização do skate parque para um dos extremos, uma vez que é um local de geração de muito ruído, bem como da proximidade entre a zona de cafetaria e esplanada e o parque infantil, o circuito de manutenção que circunda todo o parque e os quatro quiosques. Um excelente ideia é a ideia da fonte, porque ao ter o ruído de água a correr, sobrepõe-se ao ruído exterior das ruas, sendo mais agradável.
Desta proposta reteria o parque canino, a fonte e a proposta de um circuito de manutenção, e deslocalização do skate parque para um dos extremos.

CONCORRENTE 10 – O elemento fundamental desta proposta, o seu sistema nervoso central, é uma rede de ligações sobreelevadas, com uma praça também elevada junto ao cruzamento principal, e que efectua a ligação pedonal e ciclável entre as diferentes periferias do parque e o seu interior.

Sendo o seu elemento mais distintivo, parece sem dúvida muito “pesado” criando uma espécie de barreira visual e arquitectónica criada pela solução que envolve a construção de inumeros muretes. Parecendo a solução óbvia para as ligações entre espaços, parece ir asfixiar o parque, o arco e criar inumeros problemas de manutenção desta estrutura. Não se percebe também a ligação/termino aos prédios do lado da Santos Dumont, parece que entram por eles a dentro. Se assim fosse, até não deixaria de ser uma boa solução para encaminhar as pessoas directamente para o metro, mas isso obrigaria a uma continua ligação entre todos esses novos prédios. Será possivel?

Uma excelente ideia é a revitalização da ribeira e a sua exposição ao ar livre, criando um mecanismo “natural” de drenagem das águas, mas que peca pela não complementariedade com outras zonas de água.

A colocação de algumas peças do projecto também nos parecem problemáticas. A cafetaria está longe das zonas de atravessamento, obrigando a deslocação grande para lá ir, estando numa das pontas e não aproveitando a centralidade do parque. Está também longe do parque infantil, não aproveitando a dicotomia adultos-crianças. O skatepark está enfiado na zonma mais habitacional, sendo um elemento que gera ruído, não parece adequado.

Boa ideia o anfiteatro relvado e os esquemas de caminho e mobilidade pedestre no interior do parque, simulando a tal rede nervosa.

Desta proposta aproveitaria a revitalização da ribeira, o anfiteatro relvado e a inserção do arco de São Bento numa praça, dando-lhe destaque.

Rui Barbosa

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